03 May 2008

Correio Braziliense BOLÍVIA
Morales pede unidade militar diante de ameaça
Presidente critica ex-comandantes que atuam a favor do separatismo em Santa Cruz, às vésperas da votação no departamento mais rico do país

O presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu que os militares do país permaneçam unidos diante do referendo de autonomia previsto para amanhã no departamento de Santa Cruz, no maior desafio ao governo que tomou posse em 2006. Em uma cerimônia com oficiais das forças armadas em Cochabamba, Morales admitiu que há dissidências na instituição. Ele afirmou que alguns ex-comandantes estariam a serviço de um suposto objetivo separatista.

“Ex-comandantes me ensinaram a defender a pátria, e sinto que esse serviço continua, mas não é porque somos ex-soldados ou ex-comandantes que podemos ser influenciados com algumas versões de independência de algum departamento, de uma nova república”, disse o presidente. “Não é possível que alguns ex-comandantes tratem de falar mal das forças armadas (...) Por isso, peço às autoridades que orientem muito bem o povo boliviano e deixem de falar sobre independência (de Santa Cruz) ou sobre nova república”, insistiu.

O governador de Santa Cruz, Rubén Costas, disse recentemente que uma “nova república” seria criada a partir do referendo, cuja validade não é reconhecida pelo governo nem pela Justiça. Com a autonomia, a oposição conservadora espera colocar a região à margem da reforma agrária prometida por Morales, entre outros projetos a serem adotados com base na futura Constituição de teor socialista.

Santa Cruz é a região mais rica e desenvolvida do país, e nela se encontram as mais estratégicas reservas de gás e petróleo bolivianas. Entre outros benefícios, o departamento pretende, com a aprovação do estatuto de autonomia, administrar por conta própria seus recursos financeiros e fechar acordos internacionais sem necessidade de intervenção do governo central.

Também ontem, o ministro dos Hidrocarbonetos, Carlos Villegas, garantiu o fornecimento de gás a seus principais mercados de exportação, Brasil e Argentina, depois da nacionalização de quatro companhias estrangeiras de petróleo que operam no país: Chaco (British Petroleum), Transredes (Ashmore), CLHB (de capital alemão e peruano), além da Andina. “Garantimos o abastecimento porque a decisão de tomar o controle das companhias de petróleo foi planejada. Garantimos o abastecimento externo e interno”, ressaltou Villegas.


Correio Braziliense ACIDENTE NÁUTICO
Versões contraditórias
Condutores do barco e da lancha que se chocaram no Lago Paranoá divergem sobre momento da batida. Um diz que era dia e o outro, noite. Só com a definição do horário, polícia apontará responsável
Pablo Rebello

Contradições cercam as investigações do acidente náutico que ocorreu no fim da tarde de quinta-feira no Lago Paranoá, próximo do Palácio da Alvorada. Depoimentos dos donos das embarcações indicam horários diferentes para a colisão entre a lancha Old Saylor e o barco de pescas Tira-Onda, que resultou na morte do capitão do Exército Luiz Antônio de Mattos Lima, 38 anos. A noiva dele, a assistente social Leizelane Aparecida Tenório, 30, ficou gravemente ferida e encontra-se na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base.

Para o delegado-chefe da 5ª Delegacia de Polícia (área central de Brasília), Damião Lemos, a definição do momento da batida é crucial para descobrir qual dos condutores estava errado. “Não há dúvidas de que houve negligência por uma das partes. Se já estava escuro, o barco de pescas não deveria estar no local, visto que não tem iluminação de navegação. Se estava claro, precisamos saber porque a lancha não viu o barco”, explica. O delegado pretende identificar testemunhas que tenham presenciado o acidente, como funcionários do Palácio da Alvorada e pessoas que estavam em outras embarcações próximas do local.

O dono do barco de pescas, o servidor do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) Carlos Eduardo Ottolini de Oliveira, 54, prestou depoimento na tarde de ontem. Ele disse que saiu do Clube do Exército às 15h30 para passear com o amigo Luiz Antônio e a noiva, Leizelane. Os três foram até a Barragem do Paranoá e, na volta, pararam perto do Palácio da Alvorada para tirar fotos. Carlos Eduardo estava na poupa da embarcação. O capitão do Exército estava do lado direito e a assistente social, do esquerdo. O servidor conta que ainda estava claro quando a lancha atingiu o meio do barco de pesca, lançando os três tripulantes para dentro do lago.

Escuro
Dono da lancha, o técnico em telecomunicações Carlos Eduardo Almeida, 31, apresenta outra versão. Ele explicou que saiu da Associação dos Servidores do Tribunal de Justiça (Assejus) no final da tarde com um amigo, o analista de sistemas Rafael Vinícius Pereira, 30. Como estava com pouca gasolina e começava a ficar escuro, Carlos Eduardo julgou melhor se manter próximo às margens enquanto levava a lancha até a Associação de Pessoal da Caixa Econômica Federal (Apcef) para guardar o veículo. Segundo ele, como estava escuro, o farol da lancha estava acesso, mas ele não viu o outro barco e o atingiu.

Os dois relatos são parecidos sobre o que ocorreu após a batida. A lancha parou perto do barco de pesca, que estava de cabeça para baixo, e os dois tripulantes socorreram os passageiros da embarcação avariada. Rafael pediu ajuda ao Corpo de Bombeiros às 18h40. O condutor do barco foi o primeiro a ser encontrado e retirado da água. Ele contou que tinha outras duas pessoas na água. O piloto da lancha mergulhou e resgatou Leizelane, mas não encontrou Luiz Antônio.

Por enquanto, o delegado Damião prefere não falar em indiciamentos. O caso está sendo tratado como homicídio culposo (sem intenção de matar), que tem pena de dois a quatro anos de prisão. A delegacia instaurou inquérito e terá 30 dias para esclarecer como ocorreu o acidente.
 Colaboraram Maria Vitória e Ary Filgueira


Correio Braziliense Documentos em ordem

O acidente náutico também é investigado pela Delegacia Fluvial de Brasília. Diferentemente da Polícia Civil, que analisa o aspecto criminal do caso, os policiais fluviais têm a missão de estudar outros elementos que ajudem a esclarecer a colisão. “Temos que checar as condições e equipamentos de segurança de cada uma das embarcações para determinar o que houve”, explicou o delegado fluvial, comandante Jorge Silva Filho.

Ele avisou que já foi instaurado um inquérito administrativo, que tem 90 dias para ser concluído. O comandante adiantou que os documentos da lancha e do barco estão em dia. “Os dois condutores são habilitados para o exercício da navegação e as embarcações estão devidamente registrada na Capitania dos Portos”, detalhou Silva Filho. Policiais fluviais periciaram os veículos na tarde de ontem.

O comandante pretende tomar depoimentos dos envolvidos e de possíveis testemunhas. Uma das informações que a delegacia checava ontem diz respeito à presença de um veleiro nas proximidades do local do acidente. “Mas ainda precisamos localizar essa embarcação”, disse Silva Filho. Ele também procura saber se estava claro ou não na hora da colisão, visto que o barco de pesca não tinha condições de segurança para navegar no escuro.

O barco abalroado foi deixado próximo ao local do acidente, nas margens do Palácio da Alvorada. O veículo de alumínio apresenta um grande amassado na lateral. Já a lancha encontra-se na Apcef, para onde era levada antes da batida. (PR)

MEMÓRIA - Mortes na água
11 de novembro de 2007
O sargento reformado da PM Ismar Lopes de Oliveira, 47 anos, morreu perto do Clube Recreativo e Esportivo dos Subtenentes e Sargentos da PM (Cresspom), no Setor de Clubes Norte. Ele foi atropelado pela lancha modelo Cobra 16 conduzida por Davi Cândido Simões, 26. O dono da embarcação, Diego Torres Dias, 29, estava em uma prancha e era puxado pela lancha. Ismar e os colegas preparavam-se para mergulhar. A lancha teria passado a cerca de 20m do grupo.

8 de setembro de 2007
O garçom Giliová Nunes da Mata, 23, desapareceu durante um passeio de barco com 12 amigos pelo Lago Paranoá, próximo à Península dos Ministros. Os bombeiros suspeitam que ele se afogou. O grupo estava na lancha modelo Ventura 230, conduzida pelo mecânico Valdemir Xavier Pereira, 28, que não tinha habilitação para conduzir embarcações. O mecânico teria passado a direção para uma das garotas e, por volta das 23h, após uma curva brusca, o garçom caiu na água.



Correio Braziliense Embarcações devem seguir regras
João Campos

Assim como o tráfego terrestre e aéreo, o trânsito aquaviário tem regras para manter a segurança de embarcações e tripulantes. Respeitar os limites de velocidade e fazer uso dos equipamentos de segurança e de sinalização evitam tragédias. A fiscalização das atividades nos 111km do Lago Paranoá é dividida entre a Companhia de Polícia Militar Ambiental (CPMA) e a Marinha. Ambas seguem a Normam 3, conjunto de regras elaboradas pela Diretoria de Portos e Costas para navegantes amadores de esporte ou recreio.

A frota náutica do DF, que inclui as de Goiás, é a terceira maior do Brasil. Só perde para a do Rio de Janeiro e a de Santos (SP). São 40 mil embarcações: 20 mil em Brasília. Em 2007, foram registrados três acidentes no Paranoá. A média é de 60 ocorrências por mês. A maioria está relacionada com o consumo de álcool e falta da documentação obrigatória.

A CPMA cuida do patrulhamento ordinário, como a autuação de condutores embriagados. A fiscalização da Marinha é administrativa. Os militares checam as permissões para dirigir veículos aquáticos e o cumprimento das normas de segurança. “Trabalhamos em conjunto 24 horas. Também combatemos os crimes ambientais”, explica o major Alexandre Alves, comandante da CPMA.

O Lago Paranoá, considerado por especialistas um ótimo ponto para navegação e lazer pela sua extensão e profundidade média de 10m, se enquadra na categoria Navegação Interior 1 da Norman 3: “tais como hidrovias interiores, lagos, lagoas, baías, rios e áreas marítimas onde, normalmente, não há dificuldades ao tráfego das embarcações”. “É uma pista em bom estado de conservação, mas, além de ter a embarcação registrada e ser devidamente habilitado junto à Capitania dos Portos, é preciso ter coletes salva-vidas e bóias de salvamento nas embarcações de médio porte”, detalha o delegado fluvial de Brasília, o comandante Jorge Silva Filho,

No caso da navegação noturna, ele ressalta a obrigatoriedade do uso de luzes nas laterais e na popa (parte traseira) da embarcação. “Há uma série de outros itens, mas esses são os cruciais para um navegação com segurança”, observa Silva Filho. Para ele, a lancha envolvida no acidente de quinta-feira estava em acordo com as exigências legais: iluminação, equipamentos de segurança e documentação em dia. “Ainda não se sabe as causa do choque, mas é provável que tenha sido a falta de iluminação do barco de pesca. Atravessar o lago sem luz durante a noite é como atravessar o Eixão de olhos vendados”, compara o militar.

Kit de segurança
Empresário do setor de embarcações e náutico há mais de 40 anos, Ari Lopes Cunha defende o uso de medidas simples para evitar acidentes como o ocorrido há dois dias. “Um kit com um mastro e uma luz 360º — com visibilidade de 3,5km de alcance — resolveria a situação. A grande maioria dos pesqueiros não apresentam nenhuma iluminação, o que é um risco permanente durante a noite”, explica. Segundo Ari, o mastro com a lâmpada e uma bateria elétrica para geração de energia custam, em média, R$ 200.


Correio Braziliense BRASÍLIA – DF
Perigo no céu

Chama atenção o número de acidentes com aeronaves de pequeno porte ocorridos do início do ano até 24 de abril. Na chamada aviação geral, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes (Cenipa) da Aeronáutica registrou 38 ocorrências, número recorde para o período.

Correio Braziliense CONEXÃO DIPLOMÁTIMA
Negócios à parte

Como é comum no Oriente Médio, diferenças e queixumes saem de campo na hora de falar em negócios. É o que mostra a assinatura do acordo comercial entre o Estado judaico e o Mercosul, para o qual o Itamaraty funcionou como pivô. Israel e Brasil têm trocado regularmente visitas em nível ministerial, e ainda no mês passado começaram a sair do papel acordos recém-assinados para cooperação acadêmica, técnica e científica. Um grupo de especialistas brasileiros está a caminho para trocar experiências em assuntos de manejo e reaproveitamento de água, matéria na qual eles esbanjam excelência. (Nós esbanjamos a água propriamente dita...) Também são exploradas oportunidades de negócios no campo militar, em contatos com os ministros Nelson Jobim (Defesa) e Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos).

Folha de São Paulo Pentágono lança ofensiva na internet
Sem revelar patrocínio claramente, Defesa dos EUA mantém sites noticiosos no exterior para promover seus interesses
PETER EISLER

O Departamento da Defesa dos EUA está criando uma rede de sites de notícias em línguas estrangeiras e contratando jornalistas locais para escrever sobre os acontecimentos correntes e produzir outras formas de conteúdo que promovam seus interesses e contrabalancem a mensagem de extremistas. Os sites noticiosos foram inspirados em iniciativa semelhante desenvolvida no passado visando os Bálcãs e o norte da África e são parte de uma ação do Pentágono para expandir as "operações de informações" na internet.

A iniciativa não foi revelada publicamente. No caso do iraquiano Mawtani.com, no ar desde outubro, só um link no pé da página revela o patrocínio do Pentágono. À primeira vista, parece um site convencional. Grupos de defesa da liberdade de imprensa dizem que os sites são enganosos e podem facilmente ser confundidos com noticiários independentes.

"O que eles estão tentando é controlar a mensagem, contornando a mídia e apresentando a versão deles diretamente aos usuários; é uma responsabilidade séria informar as pessoas qual é a fonte dessas notícias", diz Amy Mitchell, diretora-assistente do Projeto de Excelência em Jornalismo.

Funcionários do Pentágono dizem que os sites são uma forma legítima e necessária de promover os objetivos políticos dos EUA e rebater as mensagens dos extremistas religiosos e políticos. Eles afirmam ainda que os EUA e seus aliados têm sido superados na batalha por levar informações a audiências do Iraque e outros países.

"É importante conquistar a atenção dessas audiências estrangeiras e informá-las", disse Michael Vickers, secretário-assistente de Defesa para operações especiais e esforços de estabilização.

"Nossos adversários usam a internet em benefício próprio, de modo que temos a responsabilidade de rebater suas mensagens com informações precisas e verossímeis."

América Latina
O Comando Sul das Forças Armadas norte-americanas está criando um site semelhante ao mawtani.com para as audiências latino-americanas. O Comando do Pacífico, que cobre a região asiática, também está interessado em estabelecer um site noticioso, segundo um porta-voz da Marinha.

Em memorando distribuído em meados de 2007, o secretário-assistente da Defesa Gordon England informou todos os comandantes regionais de que o desenvolvimento de sites como esses era "parte essencial da responsabilidade ao formular um ambiente de segurança em suas respectivas áreas".

O conteúdo dos sites noticiosos é redigido por jornalistas locais contratados para escrever reportagens que se enquadrem aos objetivos do Pentágono. Militares ou empresas terceirizadas revisam as matérias para garantir que sejam compatíveis com esses objetivos. Os repórteres só são pagos por trabalhos postados nos sites.

Os sites noticiosos se seguem ao lançamento no ano passado, pelo Pentágono, de uma "iniciativa transregional", com o objetivo de criar "um mínimo de seis" sites noticiosos dirigidos pelos comandos militares dos EUA, segundo notificação do Comando de Operações Especiais a empresas interessadas em operar esses sites.

"Os jovens nas ruas gostam da internet, e essa é a maneira pela qual eles se comunicam, sabem do que acontece no mundo, se mantêm informados. E eles escolhem com cuidado as fontes de notícias que usam", disse o coronel Jerry O'Hara, do Exército. "Temos de estar envolvidos nisso a fim de garantir comunicação efetiva."

"Isso é deliberadamente enganoso e debilita a imagem do jornalismo como observador objetivo", rebate Marvin Kalb, pesquisador do Centro Joan Sorensen de Imprensa, Política e Questões Públicas na Universidade Harvard. Ele aponta que boa parte da audiência que o Pentágono visa atingir vive em regiões do mundo onde as pessoas esperam que as notícias sejam controladas pelo governo. "Somos a exceção, e, infelizmente, tornamo-nos cada vez mais parecidos com o resto do mundo quando agimos assim".
Tradução de PAULO MIGLIACCI



Folha de São Paulo Clinton diz que Brasil tem responsabilidade e honra de preservar a Amazônia
DANIEL BERGAMASCO

Presidente dos Estados Unidos entre 1993 e 2001, Bill Clinton declarou ontem em palestra em Nova York que a floresta amazônica dá ao Brasil, ao mesmo tempo, a "mais dura" responsabilidade sobre o futuro climático do planeta e o "privilégio" de poder assumir o desafio de preservá-la.

Diante da platéia de empresários, políticos e artistas brasileiros, Clinton disse: "Desejo que estivesse aqui ouvindo, e não falando. Porque não há país no mundo que faça mais esforços para encontrar um caminho para desenvolvimento sustentável para salvar o mundo do aquecimento global do que o Brasil (...) Sinto que vocês têm um grande problema [desmatamento], mas têm também uma sorte grande de ter a Amazônia. É uma honra ter a responsabilidade de preservá-la."

A palestra foi parte do 2º Fórum de Desenvolvimento Sustentável, organizado pela ONG Anubra (Associação das Nações Unidas Brasil), do empresário Mário Garnero, da Brasilinvest.

O ex-presidente americano mencionou o fato do álcool de cana-de-açúcar, cuja produção predomina no Brasil, ser mais eficiente que o de milho, comum nos EUA. Contudo, disse ele, é preciso zelar para que a plantação do produto não gere desmatamento.

Em discurso anterior, no mesmo fórum, Paula Dobriansky, Secretária-Adjunta de Estado para Democracia e Relações Globais, cobrou os países emergentes sobre a redução de emissão de gás carbônico. "Não adianta nada só os Estados Unidos cortarem", afirmou ela.


Jornal do Brasil COLUNA GILBERTO AMARAL
Na Antártica/Dia da Vitória
Gilberto Amaral

Na Antártica
Na próxima semana as duas Casas do Parlamento estarão envolvidas em atividades dedicadas ao continente Antártico. O objetivo é trazer mais informações sobre as pesquisas realizadas pelo Brasil na Antártica, que vêm auxiliando no entendimento dos diversos fenômenos climatológicos e vinculados à fauna e flora do Brasil. A programação inclui exposição, seminários, exibição de filme e uma Sessão Solene.

Dia da Vitória
O Dia da Vitória, para os mais jovens, vitória dos aliados contra o nazismo na 2ª Grande Guerra Mundial, dia 8, será revivido no Monumento aos Pracinhas, no Rio de Janeiro. Com a presença do ministro da Defesa Nelson Jobim, do vice-presidente José Alencar e dos comandantes militares, várias personalidades serão condecoradas com a Comenda da Vitória. Os brasileiros fizeram bonito e demonstraram bravura nos combates, principalmente em Monte Castelo.


O Dia Exército de prontidão
De plantão nas matas do Leme para impedir ataques ao Forte Duque de Caxias, militares fazem alerta à polícia para não ser confundidos com traficantes no caso de tiroteio durante a noite
Paula Sarapu

Rio - Para evitar que traficantes refugiados na mata dos morros Chapéu Mangueira e da Babilônia, no Leme, se aproximem do Forte Duque de Caxias, sentinelas do Exército estão em posições estratégicas desde o início da semana. Policiais do 19º BPM (Copacabana) e do Grupamento de Policiamento em Áreas Especiais (Gpae) chegaram a ser alertados, por telefone, para ter cuidado nas operações e não “confundir” os militares do Corpo de Guarda com bandidos que têm feito da mata campo de batalha desde o dia 21.

O subcomandante do Centro de Estudos de Pessoal do Exército, que funciona dentro do forte, coronel Nilson Rodrigues, disse que “a área militar é sempre reforçada quando há conflitos de gangues”, mas que não há riscos à segurança da base. A área militar na Rua Coelho Cintra, onde ficam as casas de militares sobre o túnel que liga Botafogo a Copacabana, também está em alerta. A polícia afirma que os bandidos invasores chegam e fogem das comunidades por lá.

Há dois dias, os moradores do Leme não escutam tiroteios. O Serviço Reservado do 19º BPM tem informações de que o bando invasor, ligado a José Ricardo Ribeiro Rosa, o Cagado, teria deixado o Morro da Babilônia, tomado dos rivais há cerca de 15 dias. PMs do Gpae continuam ocupando as duas favelas e o bairro está com policiamento reforçado.

Os intensos confrontos têm alterado a rotina dos moradores. Um casal que mora no fim da Rua General Ribeiro da Costa contou que, para chegar em casa, prefere seguir pela Rua Gustavo Sampaio e entrar pela contramão da Rua Anchieta. Tudo isso para não passar em frente à Ladeira Ary Barroso, um dos acessos às favelas.

Já a professora Luciana Almagro, 32 anos, evita cortar caminho na volta para casa, quando sai do Shopping Rio Sul. “Por causa da mata, por onde eles entram e saem da favela, a gente decidiu trocar o caminho. Pegamos mais engarrafamento, mas não subimos pela Coelho Cintra”, disse ela, ao lado da sobrinha Júlia, 8, que está fora de casa desde a invasão. “Ela mora na Ladeira e não quer voltar. Está muito impressionada.”

A estratégia dos taxistas é não passar pela Rua Coelho Cintra — antigo ponto de descanso — em alguns horários. “Qualquer movimento na mata, mesmo durante o dia, já chama nossa atenção. Tenho medo que ‘bonde’ pegue nossos táxis para fugir”, contou F., taxista há 15 anos.


O Estado de São Paulo Pequim constrói base naval nuclear, diz revista
AFP

A China está construindo secretamente uma grande base naval nuclear na ilha de Hanan, no sul do país, revelou ontem a revista britânica de defesa ‘Jane’s’. Em sua última edição, a revista afirma ter conseguido confirmar a existência da base com a análise de fotografias de satélite tiradas pelo DigitalGlobe.

“Pequim parece construir uma importante base naval subterrânea que poderia significar o fortalecimento de suas capacidades estratégicas”, afirma a publicação. Para a revista, o governo chinês quer reforçar o controle sobre a região e defender o acesso a vias marítimas vitais.


O Globo Buscas a piloto de helicóptero recomeçam hoje
Co-piloto é sepultado no Rio. Mau tempo atrapalha o resgate
Dicler Filho

Bombeiros do 26º Grupamento, de Paraty, e mergulhadores do Grupamento de Buscas e Salvamento, do Rio, com auxílio de uma equipe da Capitania dos Portos, realizaram ontem, pelo terceiro dia consecutivo, buscas na tentativa para localizar o piloto Manoel Afonso de Souza Pereira, de 59 anos. A equipe de resgate encontrou pequenos pedaços da fuselagem da aeronave. As buscas terminaram no início da noite, mas serão retomadas na manhã de hoje.

O piloto desapareceu após o helicóptero prefixo PR-IPO, da empresa Cosan, cair no mar na quarta-feira, na Praia de Laranjeiras, próximo a Trindade, a 500 metros da costa de Paraty. O acidente aconteceu quando o helicóptero retornava para São Paulo.

A assessoria de imprensa da Cosan não informou o número exato de passageiros que saíram de São Paulo, na quarta-feira, e foram deixados pela aeronave em um condomínio de luxo na Praia das Laranjeiras. Eles embarcaram na capital paulista.

O corpo do co-piloto Carlos Eduardo Jesus Azevedo, de 58 anos, foi sepultado ontem no Cemitério do Caju, no Rio. Ele foi resgatado na noite de quarta-feira, logo após o acidente.

Segundo a Cosan, os dois pilotos eram cariocas e moravam em São Paulo.

Os destroços da aeronave não foram encontrados pela equipe de resgate. A estimativa é de que o helicóptero poderá ajudar na identificação das causas do acidente, que aconteceu a 500 metros da costa.

As buscas foram reforçadas com um aparelho conhecido como Cyberscan, que possibilita uma varredura no mar, onde a equipe trabalha, ou seja, na Praia de Laranjeiras. Seis barcos são utilizados nas buscas. Os trabalhos de resgate foram prejudicados pelo mau tempo.



O Globo Disputa atrasa criação de novas linhas de barcas

Pouco mais de um ano depois do anúncio da abertura de novas licitações de transporte aquaviário para a linha de aerobarcos Niterói-Praça Quinze e para a linha de barcas São Gonçalo-Rio, muito pouco foi feito. Em abril do ano passado, o secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, anunciou a concorrência depois de uma série de acidentes envolvendo as embarcações das duas empresas responsáveis pelo transporte hidroviário: Barcas S/A e Transtur. O motivo de tanto atraso, de acordo com a Secretaria estadual de Transportes, seria uma disputa judicial com as duas empresas, que não querem perder o direito de explorar as linhas.

O Globo OBITUÁRIO
Deputado Ricardo Izar, aos 71 anos

Presidente do Conselho de Ética da Câmara, o deputado Ricardo Izar (PTB-SP), de 71 anos, se destacou durante a crise do mensalão, em 2005. Ele foi reeleito presidente do Conselho de Ética em março passado, quando derrotou o petista José Eduardo Cardozo (SP). A eleição de Izar foi considerada uma derrota para o PT, que trabalhava para ter à frente do colegiado um nome mais afinado com o partido e com o governo.

Izar começou carreira política em 1964, como vereador em São Paulo, pela Aliança Renovadora Nacional (Arena). Depois, foi eleito deputado estadual para três mandatos e, em 1988, assumiu a Câmara em Brasília, filiado ao antigo PFL, hoje DEM. Nos sucessivos mandatos, passou pelo PPB do ex-governador Paulo Maluf antes de ingressar no PTB.

Durante a Constituinte, teve 147 propostas aprovadas, o maior número individual de emendas incorporadas ao texto constitucional. Formado em direito, era pós-graduado em direito penal pela PUC-SP, onde foi presidente do Centro Acadêmico 22 de Agosto.

Ricardo Izar morreu às 16h de ontem, em São Paulo. Ele estava internado desde o fim de março na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital do Coração, onde foi submetido, no dia 2 de abril, a uma cirurgia para correção de aneurisma na aorta. De acordo com boletim médico, Izar morreu por falência de múltiplos órgãos, em decorrência de complicações no processo de pós-operatório de cirurgia de dissecção de aorta.

Parlamentares que integram o Conselho de Ética da Câmara lamentaram a morte de Izar. O deputado José Carlos Araújo (PR-BA) contou que visitou o colega no início da tarde de anteontem, e que o petebista começava a voltar à consciência após longo período sedado:

- Era um grande amigo, bom presidente, homem sério, competente. Eu lastimo muito a falta de Ricardo Izar.

O deputado Efraim Filho (DEM-PB), o mais jovem do Conselho de Ética, com 29 anos, disse que Izar, que estava no sexto mandato, era uma referência para os parlamentares iniciantes:

- O trabalho no conselho era um referencial, para mim, pela forma com que ele conduzia. É uma perda para o Congresso, que já tem uma carência muito grande. Ele buscou a verdade, independentemente de estar agradando a determinado parlamentar.

O velório do deputado começou ontem à noite, na Assembléia Legislativa de São Paulo, e o sepultamento está previsto para a tarde de hoje, no Cemitério do Araçá, no Centro da cidade. Casado com Marisa Izar, o deputado deixa dois filhos e uma neta.


O Globo País enviará energia para Argentina
Fornecimento, porém, não garante retomada de vendas de trigo ao Brasil

BRASÍLIA. O Brasil vai enviar para a Argentina 800 megawatts (MW) de energia entre maio e setembro, mas poderá estender até 1.500MW, caso necessário. Parte da energia cedida pelo Brasil deverá ser paga em dinheiro. O volume que não for usado terá de ser devolvido entre setembro e dezembro.

O acordo foi anunciado ontem pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, após encontro com o ministro argentino de Planejamento Federal, Orçamentos Públicos e Serviços, Julio Miguel De Vido. As bases da troca haviam sido acertadas inicialmente durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no início de 2008, a Buenos Aires.

- As quantidades que forem utilizadas e não pagas pelos argentinos serão devolvidas em forma de energia durante a primavera - afirmou Lobão.

A energia fornecida pelo Brasil deverá ser, prioritariamente, de hidrelétricas. Em segundo lugar, poderá ser enviada energia gerada por usinas a gás. As térmicas a óleo só enviarão energia em último caso.

Em meio às discussões com o presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, sobre o valor da energia de Itaipu paga pelo Brasil, Lobão foi veemente em ressaltar que a energia gerada pela hidrelétrica binacional não será repassada.

Presente ao encontro, Marco Aurélio Garcia, assessor de assuntos internacionais da Presidência da República, foi categórico ao negar qualquer relação entre o empréstimo de energia brasileira com a retomada das exportações de trigo argentino:

- Não é uma moeda de troca. São assuntos diferentes. (Gustavo Paul)

01 May 2008

Jornal do Brasil Relatório atualiza os números do terrorismo
Quase sete anos depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, a Al Qaeda continua sendo a maior ameaça terrorista aos EUA e seus aliados, de acordo com um relatório de 312 páginas do Departamento de Estado, divulgado ontem. O levantamento de tendências e incidentes terroristas em 2007 diz que a Al Qaeda usa áreas tribais do Paquistão para reconstruir sua liderança e "utiliza o terrorismo, bem como a subversão, a propaganda e a guerra aberta; busca armas de destruição em massa a fim de infligir o máximo dano possível sobre quem quer que atravesse seu caminho".
Houve uma ligeira redução global no número de atentados terroristas em 2007 em relação a 2006 – de 14.570 para 14.499. O número de vitimas fatais, porém, subiu de 20.872 para 22.685. Os ataques reivindicados pela Al Qaeda mataram ou feriram 5.400 civis, sendo 2.400 crianças, e os muçulmanos foram mais de 50% das vítimas do grupo de Osama bin Laden.
No Iraque, o número de incidentes caiu de 6.628 para 6.212. Mas o país continua sofrendo 45% dos atentados, com 60% das vítimas fatais do terrorismo no mundo. No Afeganistão, os atentados subiram de 969 para 1.127. No Paquistão, o aumento foi de quase 100%.
Dell Dailey, coordenador do Escritório de Contraterrorismo do Departamento de Estado, disse que a Al Qaeda está "mais fraca do que estava" em 11 de Setembro, e que isso seria, em parte, resultado das ações armadas dos EUA.
A lista de países acusados de patrocinar o terrorismo – Cuba, Irã, Coréia do Norte, Sudão e Síria – continua a mesma. Sobre a Venezuela, o relatório afirma que Chávez "aprofundou as relações com Irã e Cuba e demonstra simpatia pelas Farc".
Jornal do Brasil Colisão de barcos mata cinco e fere nove
Cinco pessoas foram mortas e nove ficaram feridas – sendo duas em estado grave – quando dois barcos colidiram ontem à noite em Sydney Harbor, na Austrália. A polícia acredita que os mortos e feridos estariam no menor dos dois barcos, e que não há desaparecidos. Uma das médicas de emergência descreveu por rádio a cena como "extremamente difícil". Acrescentou que a maioria das vítimas eram jovens, e cinco conseguiam andar. Autoridades investigam o acidente.
O Estado de São Paulo Helicóptero cai perto de condomínio de luxo em Paraty
TALITA FIGUEIREDO
RIO - Um helicóptero caiu perto da Praia de Laranjeiras, em Paraty, no Sul Fluminense, por volta das 20 horas de ontem. O piloto morreu, e o co-piloto foi procurado até o fim da noite de ontem, mas não foi encontrado. Equipes da Capitania dos Portos auxiliaram nas buscas, suspensas por causa do mau tempo. Novas buscas estavam previstas para as 6 horas de hoje.
De acordo com a Polícia Militar, o helicóptero havia acabado de deixar uma família no condomínio de luxo Laranjeiras. Eles retornavam para o Rio, quando ocorreu o acidente. Na hora da queda, chovia em Paraty, mas as causas do desastre só serão conhecidas depois de perícia da Aeronáutica. Até o fim da noite de ontem, o nome do piloto e do co-piloto não haviam sido divulgados.
O Estado de São Paulo Brasil já é grau de investimento
Leandro Modé, Nélia Marquez e Ricardo Leopoldo
A agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P), considerada a mais importante do mercado financeiro, promoveu ontem o Brasil ao chamado grau de investimento. Isso significa que, de acordo com essa agência, o País é um porto seguro para investidores do mundo todo. Por isso, a notícia foi recebida com euforia pelos mercados e pelo governo.
O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) disparou 6,33%, para 67.868 pontos, novo nível recorde. O dólar despencou 2,52%, para R$ 1,663, em resposta à expectativa de que o Brasil atrairá mais investimento externo daqui para frente.
Em discurso durante evento em Maceió, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou a novidade. “É uma conquista do povo brasileiro, que esperou por isso durante tantos e tantos anos”, disse. Para ele, o novo status do País tem um significado a mais. “É o aval de que passamos a ser donos do nosso nariz.”
A S&P elevou a nota do Brasil de BB+ para BBB-. A escala da agência vai de AAA (concedido a países como Estados Unidos, Canadá e Reino Unido) até D (conceito para países insolventes).
A analista da S&P responsável pelo Brasil, Lisa Schineller, afirmou que o grau de investimento reflete o bom nível da política econômica, caracterizado por uma postura “pragmática”, especialmente na manutenção da solidez das contas públicas e liberdade para que o Banco Central (BC) continue combatendo a inflação com rigor.
“A política econômica pragmática indica que o Brasil tem uma perspectiva de crescimento mais forte no futuro, que deve ser sustentável”, comentou. Para ela, a tendência de crescimento da economia brasileira dá condições para que o País tenha credibilidade para financiar seu déficit nas transações com o exterior. Segunda-feira, o BC divulgou que o buraco nas contas externas do País atingiu US$ 10,7 bilhões no primeiro trimestre.
As agências de risco são contratadas por empresas e governos do mundo todo para avaliá-los do ponto de vista de solvência. As três principais são S&P, Moody’s e Fitch. Todas têm sido duramente criticadas por causa de sua atuação na crise das hipotecas (subprime) dos Estados Unidos. Para muitos analistas e investidores, elas não avaliaram corretamente o risco desses bônus, que acabaram virando pó e provocaram prejuízos bilionários.
O rating brasileiro que a S&P mudou ontem é o chamado soberano, que diz respeito à capacidade de o governo honrar o pagamento dos títulos que emite - neste caso, em moeda estrangeira.
Apesar do clima de otimismo, alguns analistas afirmaram que o governo não deve se acomodar com o grau de investimento. “(A nota) é um ponto de partida, não um destino final”, alertou o economista-chefe do banco Morgan Stanley, Marcelo Carvalho. Até porque, lembram outros especialistas, já houve países que perderam o grau de investimento, caso da Colômbia.
O Estado de São Paulo Setor público tem superávit recorde
Alta da arrecadação garante resultado primário de R$ 43,03 bi no 1º trimestre, com saldo nominal de R$ 3,04 bi
Adriana Fernandes e Fernando Nakagawa
No dia da comemoração do grau de investimento, o Banco Central (BC) anunciou ontem que, pela primeira vez, as contas do setor público (governo federal, Estados, municípios e empresas estatais) apresentaram um superávit nominal de R$ 3,04 bilhões no primeiro trimestre do ano.
Um dos principais indicadores de solidez fiscal de um País, o superávit nominal é alcançado quando a arrecadação é suficiente para cobrir as despesas, pagar os juros sobre o endividamento público e, com isso, possibilitar a redução da dívida.
O mesmo ocorre quando um trabalhador consegue, com o salário, pagar as suas despesas, investir e cobrir os juros da dívida com o banco. A sobra ele usa para abater o estoque dívida. Foi também o que aconteceu com as contas públicas: a dívida líquida do setor público caiu de 42,2% para 41,2% do Produto Interno Bruto (PIB) de fevereiro para março. Em reais, a dívida ficou em R$ 1,14 trilhão no fim do mês passado.
O desempenho inédito das contas públicas foi obtido graças às receitas recordes do governo federal que, mesmo com o fim da CPMF, superaram em R$ 22,2 bilhões o volume arrecadado no primeiro trimestre do ano passado. Por outro lado, as despesas cresceram em volume bem menor: R$ 4,8 bilhões. Esse desempenho garantiu o superávit primário (receitas menos despesas, antes do pagamento de juros) recorde de R$ 43,03 bilhões de janeiro a março, ou 6,39% do PIB.
O superávit primário das contas públicas foi apontado pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s como fundamental para conceder o grau de investimento ao País.
Em março, o superávit primário do setor público foi de R$ 15,4 bilhões - valor também recorde para o mês. O resultado do primeiro trimestre assegurou um superávit primário em 12 meses até março de 4,46% do PIB, o maior desde outubro de 2005 e bem acima da meta de 3,8% do PIB fixada em lei para as contas do setor público em 2008.
Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, a tendência ao longo do ano é de que o superávit acumulado em 12 meses convirja em direção à meta de 3,8%. Segundo ele, o atraso na aprovação do Orçamento da União ajudou no superávit, porque reduziu as despesas.
Altamir ressaltou que, tradicionalmente, os gastos são menores no primeiro trimestre. “Tivemos um resultado bastante positivo de 4,46% do PIB. Ele abre uma boa perspectiva para cumprimento da meta. Acumulamos uma gordura para atingir a meta sem dificuldade.”
Bem-humorado com a quantidade de recordes nas contas públicas no primeiro trimestre, ele destacou a importância da redução de 1 ponto porcentual na relação entre dívida líquida do setor público e o PIB de fevereiro para março, que poderá fechar em 41,3%.
Apesar do ano eleitoral, Altamir disse não esperar uma deterioração das contas do Estados e municípios como ocorria no passado. “Antes da Lei de Responsabilidade Fiscal, havia mais gastos. Depois, essa história mudou.” O superávit primário dos Estados e municípios foi recorde para o trimestre.
Para o professor do Instituto de Economia da Unicamp, Francisco Lopreato, o forte resultado das contas públicas é resultado principalmente da melhor dinâmica da economia. “O crescimento do PIB está impulsionando a arrecadação há alguns anos”, disse Lopreato.
Ele observou, porém, que o aperto monetário iniciado em abril pelo BC e a desaceleração da economia global podem frear o crescimento, diminuir a arrecadação e trazer números menos exuberantes.
O Globo Feriadão com muita chuva e urubus na praia
Mau tempo traz línguas negras, causa acidentes de trânsito e congestionamentos por toda a cidade
A frente fria que chegou à cidade, trazendo chuvas e ventos fortes, deixou dois cartões-postais do Rio irreconhecíveis: dezenas de urubus ocuparam a areia das praias do Leblon e Ipanema. Não foi o único ponto da orla que sofreu: em São Conrado e Copacabana apareceram as costumeiras línguas negras. A paisagem não deve melhorar nesse feriadão. A previsão é de que tempo fique nublado com chuvas ocasionais e a temperatura deve cair ainda mais em todo o estado. A mínima prevista no Rio é de 17 graus hoje e a máxima, 27 graus.
Na altura das ruas Souza Lima e Santa Clara, uma enorme mancha preta tomou conta da areia, dando muito trabalho aos garis da Comlurb, que passaram a manhã limpando aquele trecho da praia. Manchas de óleo também foram vistas na Enseada de Botafogo e na Marina da Glória. No Leblon, água poluída saía do Canal da Visconde de Albuquerque em direção ao mar.
A chuva deixou o trânsito bastante confuso na cidade e também atrapalhou a operação dos catamarãs que fazem a travessia Praça Quinze-Charitas. Às 17h10, as Barcas S.A., diante da informação da Capitania dos Portos de que poderia haver ondas de três metros de altura na Baía de Guanabara, suspendeu as operações até as condições do mar melhorarem. Na semana passada, houve um acidente com um catamarã, atingido por ondas gigantes. As ligações Praça XV- Praça de Araribóia e Praça 15 - Ilha do Governador não sofreram interrupções.
Por causa das pistas molhadas e escorregadias, foram registrados vários acidentes, principalmente pela manhã. Só na Avenida Brasil foram dois: em Bangu, no sentido Centro, um carro derrapou na pista lateral e bateu num ponto de ônibus, deixando o motorista levemente ferido. Já na altura de Guadalupe, um veículo rodou na pista lateral, sentido Zona Oeste, e bateu na mureta. Ninguém ficou ferido. Na Linha Amarela, um motorista perdeu o controle do carro e atingiu um poste na pista lateral da via, no sentido Barra da Tijuca, na altura de Bonsucesso. Ele ficou preso nas ferragens e foi resgatado pelos bombeiros. Na Linha Vermelha, um acidente entre um carro e uma moto complicou o trânsito no sentido Centro.
Por causa dos acidentes e da pouca visibilidade, a saída de casa para o trabalho pela manhã foi complicada em quase todos os pontos da cidade. Na Zona Sul, várias ruas de Botafogo ficaram alagadas e bolsões de água atrapalharam o tráfego no Aterro do Flamengo, na Rua Jardim Botânico e na Avenida Borges de Medeiros, na Lagoa. A Avenida Atlântica também esteve engarrafada durante boa parte da manhã. No Centro, a Avenida Presidente Vargas ficou congestionada, no sentido Candelária, principalmente na altura da Central do Brasil. Em pane, os sinais luminosos da Rua Benedito Hipólito, na Cidade Nova, ficaram apagados.
O mau tempo também prejudicou as operações no Aeroporto Internacional Tom Jobim, e no Aeroporto Santos Dumont, que passou a manhã fechado para pousos de decolagens, segundo a Infraero. Até às 16h de ontem, os dois operavam por instrumentos.
Apesar do mau tempo, a Defesa Civil municipal não registrou nenhum caso grave. Das 7 às 17h de ontem, o órgão registrou 33 ocorrências. Os bairros com o maior número de solicitações foram Tijuca, Botafogo, Urca, Realengo e Santa Cruz. A Defesa Civil permanecerá em alerta.
Ontem, a temperatura mínima registrada pelo Inmet na capital foi de 19,2 graus no Alto da Boa Vista e a máxima foi de 26,6 graus na Vila Militar.
O Globo Após 3 anos, gasolina subirá 10% nas refinarias
Petrobras sai vencedora. Governo corta imposto para evitar reajuste do combustível no posto, mas diesel deve subir 8,8%
Mônica Tavares, Gerson Camarotti, Ramona Ordoñez e
BRASÍLIA e RIO. Após quase três anos de congelamento, o governo autorizou ontem um reajuste, nas refinarias, de 10% no preço da gasolina - como queria a Petrobras - e de 15% no do óleo diesel. Não haverá impacto para o consumidor no caso da gasolina, garantiu o ministro da Fazenda, Guido Mantega, porque, para neutralizar o reajuste, o governo está abrindo mão de R$2,5 bilhões a R$3 bilhões por ano na arrecadação da taxação sobre combustíveis. No diesel, o impacto será de 8,8% na bomba, estima o governo.
O aumento no preço das refinarias para as distribuidoras começa a vigorar amanhã. O gás de cozinha, que não sobe desde 2002, não terá reajuste.
O impacto zero na gasolina foi possível graças à redução, de R$0,28 para R$0,18 por litro, da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide). Já no diesel a Cide caiu de R$0,07 para R$0,03 por litro. A alta do produto na bomba poderá ser maior em alguns estados, dependendo da alíquota do ICMS. Sem contar que o preço é livre no varejo.
- A Cide foi criada não como um tributo arrecadatório, mas para regular os preços. Quando o preço da gasolina sobe, você baixa a Cide, e quando ele desce, ela sobe. Estamos fazendo exatamente isso, baixando a Cide de modo que o efeito do aumento da gasolina seja zero para o consumidor - disse Mantega.
O vice-presidente do Sindicom (sindicato das distribuidoras), Alísio Vaz, destacou que foi a primeira vez que o governo usou a Cide como o instrumento para o qual foi criada, ou seja, intervir nos preços para evitar impacto ao consumidor.
Professor da UFRJ teme aumento nos postos
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que a redução da Cide foi a melhor solução para o impasse nos últimos dias: a necessidade de aumentar o valor dos combustíveis sem impactar a inflação. Havia pressão do presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, para um índice de pelo menos 10%. Mas a equipe econômica resistia. Lula havia autorizado um máximo de 5%, para diluir o impacto nas bombas. Com a insistência de Gabrielli, Lula deu sinal verde para que se buscasse uma alternativa. O governo concluiu que o aumento de 5% seria insuficiente para Petrobras.
- Vamos ficar atentos para não subir na bomba o preço da gasolina. A ordem é fiscalizar. Não há motivo para reajuste - advertiu Lobão.
O reajuste do diesel terá impacto menor na inflação, segundo estudos do governo. Perguntado se o reajuste de 8,8% na bomba não afetaria o setor produtivo, Lobão foi categórico:
- Tudo foi analisado pela Fazenda, e ela diz que não vai ter impacto na inflação.
A renúncia fiscal não sofre qualquer restrição legal. Ocasionalmente há desonerações tributárias, como as que serão anunciadas no dia 12, no bojo da nova política industrial.
- A Petrobras vai devolver o aumento com lucros e dividendos - disse Mantega.
A queda da Cide não será sentida apenas pelo governo federal: estados e municípios têm direito a 29% da arrecadação. Mas, segundo o secretário da Receita, Jorge Rachid, não haverá necessariamente perda de receita, pois a arrecadação com o ICMS sobre os combustíveis na refinaria será maior.
Distribuidoras e postos afirmaram que, se o governo realmente reduzir a Cide, os consumidores não verão qualquer aumento de preço na gasolina. O Sindicom calculou que a gasolina vendida nas refinarias, sem impostos, passaria de R$1 para R$1,10 o litro, mas a Cide será reduzida em R$0,10. O diesel deverá aumentar para os consumidores em 8,3%, segundo o Sindicom, que também prevê perda maior de arrecadação para o governo: R$3,4 bilhões anuais, sendo R$1 bilhão para estados e municípios.
O presidente do Sindicomb (que reúne os varejistas de combustíveis no Rio), Manuel Fonseca, disse que os postos só farão repasses se receberem aumentos das distribuidoras. Mas o professor Helder Queiroz, da UFRJ, acredita que pode haver aumento nos postos:
- O setor de distribuição e revenda não está acostumado com isso, e é necessário esperar o que vai acontecer.
O especialista Adriano Pires Rodrigues, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), calculou que os aumentos vão reduzir praticamente à metade a atual defasagem em relação dos valores internacionais. A diferença cairia de 22% para 12% na gasolina, e de 30% para 15% no diesel. Um analista de um grande banco estima a defasagem da Petrobras entre 5% e 10%.
Segundo Pires, a Petrobras reduzirá em R$500 milhões suas perdas com a defasagem dos preços em maio. Sem o reajuste, perderia R$1 bilhão. Em relatório divulgado anteontem, o Bradesco estimou que, sem reajuste, a Petrobras estava perdendo R$6,5 bilhões anuais.
COLABORARAM Erica Ribeiro e Martha Beck
O Globo 'As negociações com as Farc tiveram erros'
Ex-presidente da Colômbia César Gaviria diz que na última missão para resgatar Ingrid houve falha de comunicação
Leonardo Valente
César Gaviria foi presidente da Colômbia entre 1990 e 1994 e secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) entre 1994 e 2004. Economista, liderou durante seu governo uma ampla mudança institucional no país que resultou na reforma do Judiciário e em uma nova Constituição. Também ficou conhecido internacionalmente por sua política de defesa dos direitos humanos. Ingressou na política aos 23 anos e foi deputado e ministro de governo por duas vezes, assumindo as pastas das Finanças e do Interior. Atualmente, é líder do Partido Liberal colombiano e se diz cada vez mais distante do governo de Alvaro Uribe. No Rio, participou ontem do lançamento da Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, da qual é co-presidente.
Os últimos meses foram marcados pela libertação de alguns reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), como Clara Rojas, Consuelo González e Luis Eládio Perez, mas também pelo fracasso na tentativa de se libertar a ex-senadora Ingrid Betancourt. Como o senhor avalia as últimas tentativas de negociar reféns com a guerrilha?
CÉSAR GAVIRIA: A crise humanitária dos reféns em poder das Farc se torna cada dia mais urgente e, não há dúvidas, é uma prioridade, não só para a Colômbia mas para a comunidade internacional. As negociações com a guerrilha tiveram até então muitos pontos de acertos, caso contrário não teríamos reféns libertados, mas também alguns erros. Mas é importante ressaltar que é normal que, ao se negociar com guerrilheiros, erros sejam cometidos, pois o comportamento deles muitas vezes oscila.
No caso da última tentativa de se libertar Ingrid, que erros o senhor aponta como os que teriam contribuído para o fracasso da missão?
GAVIRIA: O grande problema da última missão para resgatar Ingrid Betancourt foi a falta de comunicação dos envolvidos com as Farc. Não se poderia esperar o sucesso da operação sem que a guerrilha se demonstrasse disposta a colaborar. Criaram-se grandes expectativas, esperanças por parte dos parentes, especulações da imprensa e da opinião pública, e nada aconteceu. Isso gera uma frustração muito grande. Mas tudo isso poderia ter sido evitado, pois a falta de informação já nos dava um desfecho para aquela missão. Esse, eu acredito, foi o pior erro.
Vários países já se ofereceram para ajudar nas negociações de libertação dos reféns, e alguns, como a França, já participam ativamente das negociações. Na sua opinião, a participação de outros países ajuda ou atrapalha nas negociações?
GAVIRIA: Sem dúvida, ajuda. O papel exercido pela França e por outros países da União Européia tem sido muito importante. Creio também que a participação de países vizinhos, especialmente do Brasil, pode ser fundamental nas negociações com a guerrilha. O Brasil tem um papel importante na América do Sul, tem peso, e isso ajudaria na busca por uma solução negociada. A Colômbia tem muita dificuldade em trabalhar sozinha com a guerrilha, quase todas as vezes em que isso aconteceu o resultado não foi exitoso. É preciso que outros mediadores participem desse processo.
Como o senhor avalia a participação do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, nessas negociações?
GAVIRIA: O presidente Hugo Chávez tem uma relação respeitosa com as Farc, e isso, sem dúvida, tem contribuído para a libertação de reféns. As relações entre Colômbia e Venezuela, apesar dos atritos pontuais, são muito importantes para ambos os países, tanto comercialmente como estrategicamente. E isso deve ser levado em conta.
Como o senhor avalia a recente crise entre Colômbia, Equador e Venezuela, por causa da operação militar colombiana, em território equatoriano, que matou o guerrilheiro Raúl Reyes?
GAVIRIA: Precisamos levar em conta que as operações das Farc no Equador são um fato verdadeiro e representam um perigo, tanto para a Colômbia quanto para toda a região. Por isso, acredito que era necessária a operação. Só não concordo com a forma como ela foi feita. Alguns erros cometidos, como a falta de diálogo com as autoridades equatorianas e a falta de habilidade em se justificar a operação, resultaram nessa crise com o Equador. Mas não podemos fechar os olhos para as operações da guerrilha naquele país.
Se o senhor fosse o atual presidente da Colômbia, agiria da mesma forma que Uribe em relação ao tema?
GAVIRIA: É sempre muito complicado se colocar na posição de presidente, mesmo quando já se esteve no cargo. O que posso dizer é que provavelmente eu também apoiaria uma ação militar contra os guerrilheiros. Mas o faria de forma diferente, mais habilidosa diplomaticamente para se evitar uma crise de grandes proporções, como a que aconteceu recentemente.
O senhor está no Brasil para participar do lançamento da Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia. A questão das drogas na Colômbia tem relação direta com as Farc. Combater o narcotráfico é também combater a guerrilha, ou o lado ideológico das Farc ainda é mais forte que o lucro das drogas?
GAVIRIA: O problema do narcotráfico é hoje crucial na Colômbia, creio que ainda mais importante que no resto da América do Sul. Não há dúvidas de que são as drogas que abastecem os guerrilheiros. Graças a elas, eles conseguem dinheiro, recursos para sobreviverem na selva e armas. Combatendo o narcotráfico estaremos combatendo também as Farc, que não sobrevivem mais de ideologia. Mas o combate ao narcotráfico não se restringe a um só país. É preciso também que o consumo da droga nos grandes mercados seja combatido.
O Globo Sem consenso sobre reféns
França é otimista mas Uribe veta mediação
CARACAS e BOGOTÁ. O ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, disse hoje após um encontro em Caracas com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que confia em uma "solução próxima" para a libertação dos reféns em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A declaração, no entanto, foi dada pouco depois de o presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, descartar novas intermediações internacionais com a guerrilha.
Kouchner, em tom otimista, fez questão de afirmar que sua viagem a Caracas foi "muito proveitosa" e que tratou da questão dos reféns, mas especialmente da ex-senadora franco-colombiana Ingrid Betancourt.
- Creio, quero crer, e desejo que o desfecho deste caso doloroso esteja próximo e seja feliz - disse.
Já em Bogotá, Uribe fez questão de afirmar que permitir novas mediações na questão dos reféns seria "correr riscos desnecessários".
- Temos a preocupação pertinente de evitar novos desgastes e riscos internacionais. Por isso, descartamos qualquer outro tipo de mediação nas negociações (com as Farc) - disse o presidente.
O Globo Espera tensa na Bolívia
Às vésperas do referendo de autonomia de Santa Cruz, opiniões se dividem na região
Soraya Aggege
A Igreja Católica pede paz em cada esquina da cidade de Santa Cruz de la Sierra, nas rádios, em faixas e cartazes. Mas, a quatro dias do referendo sobre a autonomia do departamento de Santa Cruz, são ignorados até os apelos da Organização dos Estados Americanos (OEA), que está em missão na Bolívia para evitar um confronto. Por todas as ruas centrais se agitam bandeiras e buzinas pelo sí no referendo - organizado pelo governo local e rechaçado pelo central - enquanto que nas periferias se organizam "quartéis generais" pelo no.
Pelo sí ou pelo no, em Santa Cruz muitos grupos falam em defender suas posições com o "próprio sangue". Tanto que o governo central decretou, anteontem à tarde, o recolhimento de armas de todos os civis na Bolívia.
- Há um acirramento, uma ameaça de violência da União Juvenil Cruzenha (UJC) e do Comitê Cívico, e alguns até começam a recuar. Mas nós não temos medo. Defenderemos nossas posições, mesmo que haja necessidade de derramarmos nosso próprio sangue - disse ao GLOBO Esteban Alavi, da Federação Sindical de Colonizadores, que organiza protestos contra o referendo.
- Não adianta decretarem o recolhimento das armas. Não temos armas que possam ser recolhidas. Nossa arma é a democracia, que será garantida - reagiu o vice-presidente da UJC, Luiz Vaca Pinto, que participava da manifestação pelo sim ontem à noite.
Pesquisas indicam vitória do 'sim'
Ontem eram esperadas mais de 300 mil defensores da autonomia na manifestação, centralizada em El Cristo, monumento do centro da cidade. A manifestação, organizada pelo líderes civis de Santa Cruz, coordenados pelo prefeito (governador) da província, Rubén Costas, marcou o encerramento da campanha pelo "sim" no referende domingo. A votação é considerada ilegal pela Corte Nacional Eleitoral, mas mesmo assim deve contar com a participação de quase um milhão de eleitores. Pesquisas locais indicam que mais de 70% querem a autonomia. O governo central, porém, diz que o estatuto não tem qualquer validade.
Hoje os opositores do referendo prometem misturar as celebrações do 1º de Maio com sua campanha, a partir das 9h. As ameaças de violência fizeram com que a Confederação Indígena de Bolívia (Cidob), ligada ao MAS do presidente Evo Morales, cancelasse uma marcha de 10 mil pessoas que chegaria a Santa Cruz domingo.
- Suspendemos a marcha porque haveria enfrentamentos, inclusive no caminho para Santa Cruz, pelo que apuramos. Não queremos confrontos violentos. Mas não aceitaremos o referendo. Entre os dias 8 e 11 de maio, faremos uma grande assembléia indígena em Santa Cruz, para definir formas de barrar a autonomia, que é racista e discriminatória - disse o vice-presidente da Cidob, Pedro Nuni.
Para o deputado do MAS Raúl Pardo, mesmo com essa decisão, muitos marcharão até Santa Cruz por causa do 1º de Maio:
- Vamos nos manifestar pelo Dia do Trabalho também, e por isso tudo será muito tranqüilo. Não creio que haja violência.
Indígenas afirmam ser nações à parte
Segundo o Censo de 2001, 59% da população boliviana (4,7 milhões) é composta por pobres, cerca de 61% são indígenas (a maioria quéchua e aimará) e há departamentos, como Potosí, onde a pobreza atinge 80% da população. Em Santa Cruz, porém, os números se invertem: a pobreza atinge 38% da população e os indígenas não passam de 40%, a maioria guaranis. Para a maioria dos indígenas, aceitar uma autonomia de Santa Cruz significaria perder todos os repasses públicos provenientes da arrecadação de seu departamento mais rico.
- Somos pela não participação no referendo, porque, primeiramente, ele é inconstitucional. Além disso, o estatuto da autonomia não respeita os direitos indígenas. Tratam-nos como comunidades e, na verdade, somos nações indígenas, com cultura própria. Somos inclusive a maioria no país, mas eles querem ser a máxima autoridade, desrespeitando aqueles que vivem nas terras altas - disse Nuni.
Os grupos que defendem a autonomia de Santa Cruz afirmam que não há nenhuma possibilidade de a autonomia ser descumprida:
- Santa Cruz é o departamento que mais produz em toda a Bolívia. Não é justo que repassemos quase toda a nossa arrecadação e fiquemos sem saúde pública, educação, serviços básicos. Isso não é democracia. Queremos autonomia e democracia. Os indígenas estão incluídos em nosso estatuto, que prevê uma representação para eles - disse Luiz Vaca Pinto.
O dualismo político se manifesta em cada esquina de Santa Cruz. Muitos indígenas apóiam a autonomia. É o caso de Pablo Sanchez:
- Não é possível que continuemos assim. Tudo é difícil na Bolívia por causa da centralização. Até para tirar documentos é preciso ir até La Paz.
Juan Spinoza discorda:
- Querem é concentrar mais o dinheiro arrecadado com o gás, o petróleo e a agropecuária com os ricos. Vivo em Santa Cruz e não vejo nenhum problema com a centralização. O que falta aqui são salários melhores.
Para Costas, depois do referendo "nascerá uma nova República, uma Segunda República não centralista".
O Globo EUA preocupados com Irã na América Latina
Departamento de Estado destaca aumento de influência do país sobre Bolívia, Nicarágua e Venezuela
José Meirelles Passos
WASHINGTON. O informe anual sobre terrorismo, divulgado ontem pelo Departamento de Estado, deixa patente a grande preocupação do governo americano com o que considera uma presença cada dia mais marcante do Irã na América Latina. Os EUA receiam que essa maior aproximação resulte em apoio à atividades terroristas na região.
"O governo do Irã iniciou recentemente esforço para expandir laços comerciais e diplomáticos" na região, diz um trecho do documento. E na frase seguinte instila suspeição: "O Irã utilizou, no passado, missões diplomáticas para apoiar atividades de agentes do Hezbollah".
O informe contém várias menções à presença do Irã que, no documento, é definido como "o mais ativo patrocinador de terrorismo do mundo". A Bolívia é citada como um provável foco: "Com instabilidade política, frágil e flutuante estrutura legal, crescente cultivo de coca e a abertura de relações diplomáticas com o Irã, a Bolívia mostra um novo potencial como um possível local para atividades terroristas", diz o relatório.
Segundo ele, o Irã fornecerá uma ajuda de US$1,1 bilhão ao governo boliviano nos próximos cinco anos. E "a Bolívia recebe contínuo apoio médico e de inteligência de Cuba" - país também classificado pelos EUA (junto com Irã e Síria) como patrocinador de terrorismo.
Tríplice Fronteira seria usada para atividades ilícitas
Nicarágua, Venezuela e a Tríplice Fronteira (onde se encontram Argentina, Brasil e Paraguai) seriam os outros pólos de operações iranianas suspeitas. Os EUA ressaltam que ao assumir, em janeiro, o presidente Daniel Ortega "restabeleceu laços diplomáticos formais com o Irã". Os EUA também mencionam como suspeito o fato de Ortega "ter buscado agressivamente expandir relações com Cuba e Venezuela".
Ao se referir à Venezuela, o informe diz que o presidente Hugo Chávez "aprofundou relações com países patrocinadores de terrorismo, Irã e Cuba", e que ele tem "simpatia ideológica" com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, grupo guerrilheiro que o governo americano classifica como terrorista.
"Em março, Irã e Venezuela começaram vôos semanais da Iran Airlines ligando Teerã e Damasco (Síria) a Caracas. Passageiros nesses vôos não são sujeitos a controle de imigração e alfândega no Aeroporto Simón Bolívar", diz o informe. Quanto à Tríplice Fronteira, ele diz que, embora não haja células terroristas ali, a área é utilizada por eles para "uma ampla gama de atividades ilícitas e para solicitar doações das grandes comunidades islâmicas na região e em outras localidades da Argentina, Brasil e Paraguai".

29 April 2008

Correio Braziliense OPERAÇÃO ARCO DE FOGO
Começa a segunda fase
Polícia Federal vai bloquear rodovias federais e estaduais no Pará como parte da nova etapa do combate ao desmatamento ilegal
Edson Luiz

A Polícia Federal vai fechar várias estradas estaduais e federais do interior do Pará com o objetivo de sufocar ainda mais a saída de madeira ilegal do estado. A medida faz parte da segunda fase da Operação Arco de Fogo, que começa no próximo mês. Segundo o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, na primeira fase da operação foram feitas fiscalizações nas madeireiras e carvoarias, com aplicação de multas e apreensão de toras de madeira, e combate à criminalidade na região.

A segunda etapa da Operação Arco de Fogo terá também a presença de agentes da Polícia Rodoviária Federal e da Força Nacional de Segurança Pública. A intenção é fechar as estradas para evitar que madeira estocada ilegalmente saia das serrarias e volte a circular, como estava ocorrendo em várias regiões do Pará. O ponto mais sensível era a cidade de Tailândia, que praticamente vivia da extração e venda irregular de toras.

Hoje, segundo fontes da PF, o nível de desemprego nesses municípios aumentou, o que pode ocorrer em outras áreas do estado. A ameaça da falta de vagas preocupa também os moradores de Paragominas, cidade que é considerada o maior centro moveleiro do Pará, onde praticamente todos os moradores vivem da extração da madeira. No município, o total de multas aplicadas chega a R$ 5,7 milhões. O valor da multas só foi menor do que no município de Tailândia, onde as empresas flagradas com irregularidades deverão pagar aos cofres públicos R$ 6 milhões. Em uma madeireira de Paragominas, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou multas que chegaram a R$ 3 milhões. A empresa vendeu ilegalmente quase oito mil metros cúbicos de toras, que seriam suficientes para encher quase 400 caminhões.

Seqüência
Mesmo com a ação da PF nas rodovias, o Ibama e Secretaria Estadual do Meio Ambiente continuarão com a fiscalização. “Estamos apenas dando seqüência à Operação Arco de Fogo”, fiz Corrêa, ressaltando que a segunda fase será desencadeada em todo o estado, não apenas nas regiões onde há grande incidência de crimes ambientais. Nessa nova fase, a polícia pretende usar também um grande número de homens e viaturas, como um caminhão transformado em delegacia móvel.

A Operação Arco de Fogo está sendo desencadeada em 11 regiões da Amazônia, com o foco principal no estado do Pará. Em Rondônia, tanto o governador Ivo Cassol (sem partido) quanto políticos da bancada federal estudam um protesto contra a ação da PF. O movimento, que conta com a simpatia de parte do Congresso Nacional, deve ocorrer também em Brasília. No fim de semana passado, diversos deputados e senadores, além de Cassol, sobrevoaram áreas onde está sendo realizada a operação.

O número
Multas
R$ 6 milhões é o valor total das multas aplicadas a madeireiras e carvoarias apenas no município paraense de Tailândia


Correio Braziliense CHUVAS NO NORDESTE
Atingidos já são 606 mil

A Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec) distribuiu, no último mês, 1.388 toneladas de alimentos para as vítimas dos desastres provocados pelas chuvas que atingem seis estados do Nordeste. O número de pessoas afetadas já chega a 606 mil, segundo o último balanço, divulgado no dia 24. O balanço anterior, de 14 de abril, registrava 540 mil atingidos. “A situação é preocupante, pois o número de atingidos está crescendo rapidamente. Foram 66 mil novas vítimas em apenas 10 dias. E a previsão é de que as chuvas aumentem”, disse Daniel Gonçalves, do Instituto Cáritas Brasileira. Segundo a Defesa Civil, nos seis estados já há mais de 62 mil desalojados e 80 mil desabrigados. O número de municípios atingidos subiu de 229, registrados até o dia 14, para 359. O estado mais atingido foi a Paraíba, com 121 municípios afetados, seguido pelo Rio Grande do Norte, com 66, e Maranhão, com 50. A Cáritas lançou, na semana passada, com apoio da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, uma campanha chamada S.O.S. Nordeste, para obter recursos destinados a ajudar as vítimas das chuvas.
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